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Xico Graziano

Governo amplia mercado para produtos do agro brasileiro

Castanha de baru entra para o rol e beneficia comunidades tradicionais

02 de junho de 2020 | 09h30 | Atualizado há 41 dias

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Brasil vai exportar castanha de baru para a Coreia do Sul. Este é um dos 60 novos mercados externos abertos para produtos agropecuários na gestão da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

O baruzeiro (Dipteryx alata) é uma árvore grande, leguminosa, típica do Cerrado nacional. Querida pela excelente madeira, seus frutos, duros e secos, apresentam uma grande semente apreciada na culinária das comunidades tradicionais. Rica em proteína, ferro e zinco, a castanha é conhecida como o "viagra" do Cerrado.

Descoberta pelos empreendedores da alimentação alternativa, a castanha de baru passou a receber atenção da pesquisa agronômica, na Embrapa. Seu crescente comércio virou fonte de renda para pequenos agricultores de Goiás e Tocantins, especialmente.

Entre seus produtores, destaca-se a Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado (Coopcerrado), criada em 2002. Com fábrica em Goiânia, foram pioneiros na fabricação da farinha de baru, presente na merenda escolar de alguns municípios.

O sucesso da castanha de baru chamou a atenção de empresas processadoras, interessadas no comércio internacional. Segundo o INC (International Nut Council), o consumo mundial de castanhas e nozes tem crescido 6% ao ano, oferecendo elevada rentabilidade.

O Brasil participa desse sofisticado mercado por meio de 4 produtos, curiosamente, originados nas distintas regiões do país: do Norte, vem a castanha do Pará (também denominada castanha do Brasil); do Nordeste, a castanha de caju; do Sul, a noz pecã; e do Sudeste, a macadâmia. Mais recentemente, o Centro-Oeste passou a colaborar neste portfólio com a castanha de baru.

Estados Unidos e Canadá já conhecem a castanha de baru e têm ajudado na divulgação de suas qualidades em termos de sabor e valor nutricional. Agora, a Coreia do Sul também passará a degustar essa delícia do Cerrado brasileiro.

O feito mostra o acerto de Jair Bolsonaro em, de início, reunificar a gestão pública do agro nacional em apenas uma casa. Sim, porque antes funcionavam 2 Ministérios da Agricultura: um que cuidava dos "agronegócios" e outro que gerenciava a "agricultura familiar".

Essa sandice criada pelo governo petista criou, artificialmente, uma distinção entre os "pobres" e os "ricos" na agricultura, opondo-os como classes antagônicas. Acirrou-se, assim, uma disputa entre a agricultura familiar e o agronegócio, termos que passaram a ser utilizados, no Brasil, expressando situações rivais. Um absurdo agrário.

Vemos agora que a castanha de baru também faz parte dos agronegócios, embora a maioria de seus produtores - na verdade coletores, extrativistas - seja originária de comunidades tradicionais, incluindo assentamentos de reforma agrária. Isso é sensacional.

Sejam pequenos ou grandes, tradicionais ou modernos, familiares ou empresariais, todos ganham com a abertura do mercado internacional da castanha de baru. Ganha o Brasil.
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