Xico Graziano

Agro precisa padronizar produtos para ter sucesso no e-commerce

20/05/2020 09h19

"Qualidade CATI". Com esse nome, a Secretaria da Agricultura lançou, em 1997, um selo de qualidade para o morango paulista. A fruta apresentava, na época, 2 problemas graves no mercado: resíduos de pesticidas e falta de padronização nas embalagens.

Passados mais de 20 anos, o morango deixou a lista dos alimentos problemáticos quanto aos resíduos de produtos químicos. Segundo a Anvisa, de 2013 a 2015, das 157 amostras pesquisadas, apenas uma (0,6%) apresentava potencial risco agudo ao consumo humano. Pode comer moranguinho à vontade.

Quanto à padronização das frutas, porém, pouco se evoluiu. Basta conferir na maioria das caixinhas de morango existentes no mercado: a primeira camada tem frutas bonitas, sadias; a camada de baixo costuma tê-las pequenas e defeituosas. Estragadas, às vezes.

O consumidor precisa ser esperto, revirar a embalagem, olhar com atenção, para escolher uma mercadoria de boa qualidade. Se bobear, compra o moranguinho bonito, mas, quando chega em casa, descobre que foi logrado pelo vendedor.

Esse problema, que não se restringe ao morango, impede a expansão na agropecuária da mais recente mania de compras e vendas, turbinada nesses tempos de coronavírus: o e-commerce. "O sucesso do comércio eletrônico de produtos agropecuários depende da padronização dos produtos", salienta Maurício Salvador, presidente da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).

Leia outros artigos de Xico Graziano