Bruxelas

Por falta de acordo sobre nomeações, UE suspende cúpula até terça

01/07/2019 Mundo
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(30 jun) Os presidentes do Parlamento e Conselho europeus, Antonio Tajani (e) e Donald Tusk, durante a reunião de cúpula em Bruxelas

A cúpula sobre a distribuição dos altos cargos da União Europeia entre seus líderes, reunidos desde domingo em Bruxelas, foi suspensa até terça-feira (2), em vista da dificuldade de chegar a um compromisso.

Depois de uma noite em branco, o porta-voz do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, anunciou nesta segunda-feira que a cúpula seria suspensa até terça, às 11h (6h de Brasília).

A chanceler alemã, Angela Merkel, reconheceu que as discussões são "complicadas", mas disse "esperar que, com boa vontade, um compromisso seja possível".

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, criticou um "fracasso que passa uma imagem de falta de seriedade da Europa".

O atual compromisso sobre a mesa prevê a nomeação do socialdemocrata holandês Frans Timmermans para a presidência da Comissão Europeia e da búlgara Kristalina Georgieva, do Partido Popular Europeu (PPE, direita), para a presidência do Conselho Europeu, disseram várias fontes europeias à AFP.

Além de alguns líderes do PPE, Timmermans enfrenta a rejeição dos líderes de Polônia, Hungria e República Checa, que não o consideram um "candidato de consenso", mas "um candidato muito divisionista [que] não entende a Europa Central", segundo o polonês Mateusz Morawiecki.

Na sua mira estão os processos de infração abertos pela Comissão contra esses países, especialmente por sua recusa em respeitar as cotas de distribuição de refugiados e, no caso da Polônia, o processo aberto por sua polêmica reforma judicial.

Estes três países não poderiam sozinhos bloquear a nomeação do socialdemocrata. Junto com outros países, porém, poderiam comprometer sua nomeação, que exige o voto de pelo menos 21 dos 28 líderes.

Há também a opção de nomear um liberal como chefe da diplomacia europeia, que poderia ser o belga Charles Michel, ou a dinamarquesa Margrethe Vestager, acrescentou uma fonte europeia.

Outra fonte mencionou a possibilidade de nomear Vestager, atual comissária para a Concorrência, como vice-presidente da Comissão, juntamente com Timmermans.

A presidência do Parlamento Europeu, cujo mandato dura dois anos e meio, poderia ser compartilhada entre o PPE, com seu candidato alemão Manfred Weber, e os liberais.

Depois de dois anos e meio, Weber poderia deixar seu cargo para um liberal, eventualmente o belga Guy Verhofstadt, de acordo com essas fontes. Esta opção poderia agradar a ambos.

Fontes do PPE indicaram à AFP que Weber está disposto a apoiar a nomeação de Frans Timmermans em troca da presidência do Parlamento Europeu, para ele, e da presidência do Conselho Europeu, para sua família política.

Os liberais, terceira força no Parlamento Europeu e que, em princípio, reivindicavam a presidência do Conselho, teriam baixado suas exigências, renunciando a essa posição e reivindicando a chefia da diplomacia europeia.

Se não chegarem a um acordo, os líderes vão se reencontrar em 15 de julho, de acordo com fontes diplomáticas.

Neste caso, porém, correriam o risco de ter de aceitar a escolha da Eurocâmara, que escolhe seu presidente na quarta-feira.

Embora não corresponda aos líderes escolher o chefe do Parlamento Europeu, este cargo entra na conta da indicação pelos líderes dos chefes da Comissão e do Conselho, bem como da diplomacia europeia, que devem respeitar equilíbrios geográficos, políticos e de gênero.

Os líderes, que também devem escolher o próximo presidente do Banco Central Europeu (BCE), veriam-se mais limitados a partir de 3 de julho em sua escolha do sucessor do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, à frente da Comissão, cargo para o qual a Eurocâmara também tem uma exigência.

Os eurodeputados, que devem validar a escolha dos líderes, exigem que o candidato à presidência da Comissão tenha liderado sua família política nas eleições europeias. Essa condição é cumprida por Weber, Timmermans e, para alguns, pela dinamarquesa Margrethe Vestager.