Baikonur

Nave Soyuz leva astronautas para Estação Espacial

14/03/2019 Ciência
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A nave Soyuz decolou com sucesso do cosmódromo de Baikonur rumo à Estação Espacial Internacional

A nave Soyuz decolou com sucesso, nesta quinta-feira, do cosmódromo de Baikonur rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), levando a bordo três tripulantes, entre eles o americano Nick Hague e o russo Alexey Ovchinin, que sobreviveram a um lançamento abortado no ano passado.

A terceira integrante da equipe é a astronauta americana Christina Koch, que realiza seu primeiro voo ao espaço.

Os três tripulantes decolaram do cosmódromo russo de Baikonur, no Cazaquistão, às 19h14 GMT (16h14 em Brasília), como estava previsto.

"A Soyuz está agora em órbita e a tripulação, a caminho da Estação Espacial Internacional", disse um comentarista na televisão da Nasa, confirmando o sucesso do lançamento.

A agência espacial russa Roscosmos confirmou que a nave entrou em órbita.

O lançamento foi acompanhado de perto, depois que uma primeira viagem espacial de Hague e Ovchini foi interrompida em outubro, quando um problema técnico com o foguete Soyuz fez com que a missão fosse abortada após dois minutos de voo. Ambos escaparam ilesos.

Foi o primeiro acidente desse tipo na história pós-soviética da Rússia e um grande revés para a sua outrora orgulhosa indústria espacial.

Falando a repórteres antes de sua missão de seis meses, o comandante de voo Ovchinin disse que alguns componentes defeituosos no veículo de lançamento foram encontrados e substituídos nesta semana.

"Ontem eles encontraram algumas avarias menores", disse Ovchinin, de 47 anos, na quarta-feira.

Ele insistiu que o veículo de lançamento estava em bom estado. "Não há problemas".

Hague, 43 anos, disse que estava ansioso pelo voo - sua segunda tentativa de chegar ao espaço.

"Estou 100% confiante no foguete e na nave espacial", disse.

A missão de outubro foi abortada devido a um sensor danificado durante a montagem do foguete.

- "Antiga mas confiável" -

O especialista espacial Vadim Lukashevich disse que as substituições de última hora não são nada fora do comum.

"A Soyuz é uma máquina antiga, mas confiável", disse à AFP.

A indústria espacial da Rússia sofreu nos últimos anos muitos contratempos, incluindo a perda de naves espaciais de carga e de um grande número de satélites.

Ovchinin, que passou seis meses na ISS durante uma missão anterior em 2016, fez questão de minimizar o drama do pouso de emergência de outubro.

A interrupção foi "um pouco decepcionante" depois de preparações que duraram um ano e meio, mas também "uma experiência interessante e necessária" que testou a profundidade de preparo do programa espacial, afirmou.

O voo de seis horas de Koch, Hague e Ovchinin, nesta quinta-feira, será vigiado de perto por outro motivo também.

O lançamento de teste bem-sucedido da SpaceX de seu veículo Dragon para a ISS desafiou um monopólio de oito anos em viagens à estação espacial desfrutado pela Rússia desde que a Nasa interrompeu os lançamentos de seus ônibus espaciais.

Falando aos repórteres, o trio e sua equipe de apoio de três homens enfatizaram a cooperação em vez da concorrência após a missão Dragon, vista por alguns como o início de uma era de viagens espaciais comerciais dirigida por empresários como Elon Musk, dono da SpaceX.

Koch, uma novata espacial de 40 anos, chamou o sucesso da SpaceX de um "grande exemplo do que temos feito há muito tempo, isto é, cooperando entre parceiros e fazendo coisas que são muito difíceis parecerem fáceis".

- Primeiras caminhadas espaciais -

Já houve um lançamento tripulado bem sucedido para a ISS desde a fracassada missão da Soyuz.

Oleg Kononenko, da agência espacial russa Roscosmos, Anne McClain, da Nasa, e David Saint-Jacques, da Agência Espacial Canadense, partiram para a estação espacial em dezembro e devem cumprimentar seus novos colegas tripulantes na manhã de sexta-feira.

Durante sua missão, McClain, Saint-Jacques, Hague e Koch devem realizar as primeiras caminhadas espaciais de suas carreiras.

A Estação Espacial Internacional - uma rara área de cooperação entre Moscou e Washington - está orbitando a Terra a cerca de 28.000 quilômetros por hora desde 1998.