Brasil

"Me sinto um lixo", diz moça de 16 anos que sofreu estupro coletivo no Rio

"Eu não queria que outra pessoa se sentisse assim", afirmou a jovem

28/05/2016 16h41 | Atualizado em 28/05/2016 16h51
A adolescente de 16 anos vítima de um estupro coletivo na Zona Oeste do Rio na semana passada afirmou, em entrevista a jornalistas, que "queria que as pessoas soubessem que não é culpa da mulher". O jornal O Globo divulgou trechos da entrevista, que aconteceu na casa da mãe da jovem.

"Eu queria que eles [estupradores] esperassem a justiça de Deus. Eu queria só isso. E que nunca mais, nunca, nunca, nunca façam isso com ninguém", disse a garota. "Eu me sinto um lixo hoje. Não queria que outra pessoa se sentisse assim."

A adolescente lembrou na entrevista que, na sexta-feira (20) da semana passada, foi até a casa de um rapaz com quem se relacionava havia três anos. O crime ocorreu no último sábado (21).

"Eu fui pro baile, aí encontrei o meu ex, fui pra casa dele. Chegou na casa dele, fui dormir. Nisso que dormi, acordei em outra casa, com um flash assim no meu rosto. Olhei assim e dormi de novo. Quando acordei, a luz estava acesa, e um montão de gente em cima de mim."

Sobre o estupro, disse: "O que me lembro foi que acordei pelada. E tinha um montão de gente em volta de mim. Meu amigo chegou dentro da casa e saiu batendo nos garotos e falou: Solta ela!, solta ela!. E catou minha roupa e falou: ?Se veste, se veste!!. Aí eu saí".

"Eu chorei. Fiquei batendo neles, e nada de eles saírem. [Diziam]! Para! Eu sei que você gosta, eu sei que você é safada, você é piranha, essa daí é rata!. Eu me lembro que tinha uma cama, uma geladeira quebrada e uma cômoda, só. Tudo sujo. Tinha barata, tudo sujo, muita coisa suja.

Depoimento

Em depoimento anterior ao policiais, a adolescente afirmou se recordar de que estava a sós na casa do rapaz e que, depois, só se lembra que acordou no domingo, já uma outra casa, na mesma comunidade, cercada por 33 homens armados com fuzis e pistolas. Ela destacou que estava dopada e nua.

A jovem contou aos investigadores que foi para casa de táxi na terça-feira (24). Ela admitiu que faz uso de drogas, mas afirmou que não utilizou nenhum entorpecente no sábado.

Na terça (24), ela descobriu que imagens suas, sem roupas e desacordada, circulavam na internet. A jovem contou ainda que voltou à comunidade para buscar o celular, que fora roubado. Um agente comunitário foi quem a acolheu, ao perceber como ela estava, e a conduziu para junto da família novamente.

Os parentes só souberam do estupro na quarta-feira (25), após tomarem conhecimento que fotos e vídeos exibindo a adolescente nua, desacordada e ferida estavam sendo compartilhados pelos agressores.

A adolescente passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico-Legal nesta quinta (26) e foi levada para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde passou por exames e tomou um coquetel de medicamentos para evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.

O Sul/ AG