Lama da Samarco contaminou corais do Parque dos Abrolhos na Bahia

A informação consta de estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro

05 de março de 2019 | 11h54 | Atualizado há 933 dias

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O rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, causou danos "irreparáveis" aos corais do Parque Nacional dos Abrolhos, na Bahia, o recife de corais mais importante de todo o Atlântico Sul.

A informação consta de estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Foi comprovado que os corais do Parque Nacional dos Abrolhos sofreram ?impactos significativos? decorrentes da contaminação por rejeitos despejados nas ilhas após o rompimento da barragem de Fundão em 2015.

De acordo com o relatório de quase 50 páginas, os pesquisadores apresentam análises detalhadas com a presença de metais nessas estruturas, demonstrando notória incorporação de zinco e cobre, entre outros elementos.

Segundo o estudo, os resíduos do beneficiamento de minério se espalharam rapidamente pelo Rio Doce e, em seguida, começam a atingir a região costeira. A avaliação dos pesquisadores é que a abrangência geográfica do impacto decorrente do rompimento e da lama não pode ser visível ao observador comum.

O entendimento é que o rompimento causou mais dano ao ecossistema do que pelo volume de material volúvel que atinge as camadas mais profundas da coluna d?água, em geometrias mais finas.

O coordenador do estudo, o pesquisador Heitor Evangelista, do Laboratório de Radiologia e Mudanças Globais da Uerj, afirmou à Agência Brasil que o dano causado ao recife de Corais de Abrolhos é irreparável, devido à extensão da área atingida.

?O nosso papel é saber em que medida a área foi impactada. E, a partir daí, deflagrar mecanismos de monitoramento para descobrir qual vai ser a resposta biológica diante desse fato. Não há como remediar, mas nós precisamos aprender com esse processo?, disse.

Para ele, há necessidade imperativa de se aprender com a tragédia e avaliar com mais cautela a extensão dos danos causados. ?Porque remediar, na minha opinião, é praticamente impossível dada a escala geográfica desse impacto. O que nós temos e precisamos é apreender alguma lição com esse rompimento. É preciso obervar que a preservação [do recife de corais] vinha sendo ameaçada pela temperatura mais alta da água dos oceanos em decorrência de fatores climáticos. Agora, precisamos monitorar o dano para antever o que pode acontecer?.
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