Cascavel

Vereadores cobram da Sanepar recuperação de danos por surto de diarreia

Surto de diarreia identificado no final de 2018 e início de 2019 e contaminação das águas em Cascavel.

07/08/2019 17h07 | Atualizado em 07/08/2019 17h09
Os vereadores das Comissões de Meio Ambiente e de Defesa do Consumidor da Câmara formalizaram pedidos de providências à Sanepar e à Secretaria de Meio Ambiente em relação ao surto de diarreia identificado no final de 2018 e início de 2019 e contaminação das águas em Cascavel.

No Ofício 17/2019, endereçado à Sanepar, as comissões requerem que em até 30 dias após o recebimento do documento, a companhia apresente um plano para recuperar os danos financeiros suportados pelo município durante o surto por contaminação por protozoário, fazendo investimentos em ações na Saúde de Cascavel no valor correspondente ao prejuízo, segundo orientações a serem buscadas junto à Secretaria de Saúde, assim como realizar avanços na detecção de protozoários na água e no tratamento da mesma e demonstrá-los em forma de prestação de constas às comissões de Defesa do Consumidor e de Meio Ambiente.

No Ofício 22/2019, encaminhado ao secretário de Meio Ambiente, Wagner Yonegura, os vereadores pedem que em consideração o Relatório Final: "Investigação do surto de doença diarreica aguda por Cryptosporidium spp., Cascavel - PR, 2019" do Ministério da Saúde, a secretaria informe quais as providências que foram ou ainda serão tomadas quanto a contaminação do Rio Saltinho apontada em tal documento.

Fundamentação

No dia 1º de agosto os vereadores tornaram público o Relatório Final: "Investigação do surto de doença diarreica aguda por Cryptosporidium spp., Cascavel - PR, 2019", do Ministério da Saúde - Secretaria de Vigilância em Saúde, no qual consta a contaminação da população por protozoários por meio de veiculação hídrica. Uma vez que os indicadores utilizados para identificação e reconhecimento da contaminação microbiológica confirmaram a presença de agentes etiológicos "protozoários" em amostras da água bruta nos pontos de captação do Rio Cascavel e do Rio Saltinho, da água da ETA/SANEPAR proveniente da retrolavagem da etapa de filtração, da água da ETA proveniente da pós-filtração.

Os registros e avaliação dos dados da investigação epidemiológica confirmaram casos de diarreia dispersos por toda cidade de forma abrupta e continuada, além do que a clínica/sintomatologia da doença é compatível com suspeita diagnóstica e a hipótese da suspeita da presença de multi-patógenos (mais de um protozoário) na água de consumo humano, relacionando-se com os agentes etiológicos envolvidos. Ressalta-se ainda que houve a confirmação laboratorial em amostras clínicas (fezes humanas) dos protozoários Giárdia e Cyclospora, e ainda recai suspeita de que o agente Cryptosporidium possa ser confirmado em amostras humanas que foram coletadas no período do surto e que ainda estão sendo processadas pelo laboratório do Instituto Adolpho Lutz.

A Secretaria de Saúde de Cascavel repassou a informação de que o surto de doença diarreica causou um grande prejuízo financeiro para o município, pois no período do surto foram atendidos 12.223 pacientes com doença diarreica (período compreendido entre final da segunda quinzena de dezembro de 2018 a meados de maio de 2019), sendo que no ano de 2017 inteiro não se chegou a essa quantidade, onde foram atendidos ao todo 12.189 pacientes e no ano de 2018 foram atendidos apenas 13.689 pacientes ao todo.

Foram atendidos o triplo de pacientes com doença diarreica no período do surto em comparação com períodos normais, sendo que os valores demandados para tais atendimentos e tratamentos poderiam ter sido aplicados na rede municipal de saúde de uma forma geral, os quais somam R$ 1.644,087,38, então toda a população acabou sendo atingida de forma direta ou indireta pela contaminação proveniente da água tratada de forma ineficaz pela Sanepar.


ofícios encaminhados pelas comissões

assessoria



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