Brasil

Cinco vezes melhor do mundo, Amandinha luta pelo crescimento do futsal feminino

Jogadora recusa proposta da Europa e de gigantes brasileiros do futebol por missão de desenvolver a modalidade

09/10/2019 14h32 | Atualizado em 09/10/2019 14h52
Com 25 anos, Amanda Lyssa de Oliveira Crisóstomo, ou simplesmente Amandinha, comemora o bom momento na modalidade.
A pernambucana é eleita consecutivamente, desde 2013, a melhor jogadora de futsal do mundo. Sem ter como subir ainda mais individualmente, o objetivo agora é outro: levar com ela, para o alto, toda a modalidade.

"Eu zerei o game, isso é fato. Não tem como eu negar isso. Conquistei muitos títulos por equipes e individuais. Acho que próximo passo é continuar brigando pelo futsal feminino. Não tenho medo de cara feia e de nãos, já recebemos nãos a muito tempo. Estou feliz pela oportunidade de ser um símbolo da minha modalidade. Espero continuar dessa forma para que, em cinco, 10 anos, as novas atletas possam pegar o melhor que a modalidade pode oferecer".

Em evento na Zona Sul do Rio de Janeiro Amandinha lamentou o baixo desenvolvimento do futsal da cidade carioca, que não coloca um time na Liga nacional masculina desde 2012, com o Botafogo, e teve o único título em 2000, com o Vasco.
A craque mostrou empolgação com a chance de o Flamengo voltar a ter equipes profissionais da modalidade, o que depende de alianças com investidores.

? É uma pena que Rio de Janeiro, uma cidade tão grande, não ter equipes na Liga. Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo são times renomados que poderiam ter grandes times tanto no futsal masculino quanto no feminino. É uma tristeza que, uma cidade como essa, que recebe tantos turistas, com tanto poder aquisitivo, não tenha grandes times dentro do cenário. Fiquei sabendo que o Flamengo pode ter um time de futsal futuramente. A gente vai criando expectativas. Claro que eu gostaria de jogar lá! Quem não gostaria de jogar com uma camisa tão pesada como a do Flamengo?.

BATE-BOLA COM AMANDINHA

Com o desenvolvimento do futebol feminino, que agora conta com duas divisões fortes e todos os times grandes com equipes, já teve vontade de trocar as quadras pelos campos?

Amandinha: Já recebi sondagens times consideráveis aqui do Brasil. Não posso dizer que nunca pensei nisso. Já pensei sim. Mas acho que devo algo ao Futsal. Por tudo que ele já me proporcionou. Não em altas proporções, mas hoje posso dar uma vida melhor para a família, um estudo para o meu irmão. São coisas que nada no mundo podem comprar, ter a família por perto. Acho que as coisas só tendem a melhorar porque o futsal feminino merece.

Em outras entrevistas, você mostra que essa dívida moral com o futsal feminino brasileiro também tem impede de deixar o Brasil.

A: Recebi propostas praticamente irrecusáveis da Europa. Lá se ganha em Euro, então eu poderia estar ganhando no mínimo quatro vezes mais. Mas como eu me envolvo nessa parte emocional, optei por ficar porque o futsal feminino brasileiro precisa de mim aqui. Comecei a entender o que eu tenho que fazer pelo esporte quando a minha visibilidade aumentou. Eu não tinha ideia do que fazer. Quando eu sai de casa com 15 anos eu só queria ser feliz jogando bola. Queria me tornar profissional e jogar pela Seleção Brasileira, conquistar títulos. Mas não sabia que tomaria essa proporção.

A que pé está a sua missão de ajudar o futsal feminino a progredir?

A: Botamos nossa cara a tapa. Esse ano tivemos uma transmissão a nível nacional, e essa foi uma grande conquista. As pessoas não conhecem futsal feminino, não sabem da qualidade do esporte no Brasil. Quando tivemos essa oportunidade, agarramos com todas as forças. Estamos sempre brigando com federação para o melhor da modalidade. Não temos as melhores condições, mas sempre digo: quem faz futsal são pessoas altamente apaixonadas. Toda a luta contra o preconceito, a distância da família e a falta de visibilidade, essas pessoas fazem valer a pena.

Redação Catve.com com Lance!



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