Laís Laíny

No Senado, Moro nega conluio e autenticidade das mensagens vazadas

19/06/2019 21h29

Ao longo de oito horas, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi sabatinado por senadores nesta quarta-feira (19).

Ele se apresentou ao Senado para se explicar sobre as mensagens vazadas pelo site The Intercept que foram trocadas por Moro e por procuradores da Lava Jato.

O ministro afirmou, repetidas vezes, que não reconhece a autenticidade das mensagens e que não cometeu ilegalidades. Veja um resumo das afirmações do ministro.


REVANCHISMO

Moro chamou atenção ao que ele chamou de revanchismo de pessoas denunciadas ao disseminar o vazamento das mensagens.

"Me espantou não só a divulgação mas o revanchismo de gente envolvida em atividades criminais, a partir da revelação desses fatos. Não tenho problema com a divulgação desses fatos desde que não seja adulterado ou com falso sensacionalismo".



ATAQUES POR GRUPO CRIMINOSOS DE HACKERS
O ministro acredita que a invasão das mensagens é um trabalho de grupo de criminosos e não de uma pessoa isolada.

"Há uma grande quantidade de pessoas que sofreram invasões ou tentativas de invasões, o que aponta para que não seja um hacker isolado".


TROCA DE MENSAGENS RÁPIDAS

No meio jurídico, segundo Moro, é normal que haja conversa entre partes envolvidas nos processos e que no caso específico, foram mensagens rápidas, as quais, ele não confirma se são verdadeiras.
"São normais conversas entre procuradores, policiais, advogados. Foi apenas uma troca de mensagens mais rápidas, se é que são de todo autênticas".



NÃO EXISTE CONLUIO
Números foram apresentados pelo ministro na tentativa de provar que não houve "conluio" entre Moro e o MPF.
"Foram mais ou menos 90 denúncias do MPF. Dessas, 45 foram sentenciadas. O MPF recorreu de 44 dessas 45 Aqui fica claro que não existe conluio, pelo contrário, há divergência".



TELEGRAM: MENSAGENS PODEM TER SIDO ALTERADAS
Sobre o uso do aplicativo, Telegram, Moro diz que não o utiliza há dois anos e que entregou seu aparelho celular para análise da PF (Polícia Federal).

"Eu não uso o Telegram desde 2017. E eu confirmo que o conteúdo do meu celular n foi acessado. Nós chamamos a Polícia Federal, no mesmo dia examinou meu aparelho celula".

Quanto a autenticidade das mensagens, ele afirma que algumas ele de fato pode ter escrito mas outras ele não reconhece. Ele fala em adulteração.

"Eu usei o Telegram, em 2017. Quando foram noticiadas invasões hackers nas eleições norte americanas, eu achei que esse app não era um veículo muito seguro. Eu não tenho mais essas mensagens para afirmar que se aquilo é autêntico ou não.

Tem algumas coisas que eu possa ter dito, e outras que me causam estranhezas. E outras podem ter sido adulteradas para caracterizar um escândalo que, na verdade, é inexistente".

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