Hélio Duque

Educação e o futuro - Helio Duque

03/12/2018 17h21

A educação de qualidade é o fator determinante para o crescimento da economia e, por consequência, do desenvolvimento. Sua ausência determina baixíssima qualificação da mão de obra resultando na baixa produtividade. Educação e economia estão integradas na ordem direta de um país responsável que almeje pela elevação da renda à inclusão social. Sem priorizar a educação torna-se impossível a construção de uma nação desenvolvida. Buscar um padrão educacional moderno a exemplo de países como a Finlândia, Coréia do Sul, Japão e vários outros que construíram modelos educacionais que mudaram a realidade do seu povo deve ser o grande objetivo de um Ministro da Educação comprometido com a modernização.

"Qualquer candidato a cuidar da educação brasileira deveria estar preparado para enfrentar pelo menos as seguintes questões: 1) Por que os alunos brasileiros vão tão mal no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes; 2) Como melhorar os níveis fundamental e médio do ensino brasileiro, obviamente em condições muito más; 3) Como adaptar o ensino às condições impostas (sim, impostas) pela chamada revolução 4.0; 4) Como preparar professores para formar alunos capazes de atuar com sucesso na economia do século 21; 5) Que experiências bem sucedidas no exterior poderiam proporcionar elementos a um programa de modernização educacional."

Oportuna e lúcida indagação feita pelo excelente analista Rolf Kuntz, em "O Estado de S.Paulo" (25-11-2018). Destacando que padrões ideológicos ou religiosos não podem prevalecer na condução da educação brasileira. A ineficiência da educação brasileira tem várias causas e uma delas não é decorrente de o Brasil investir pouco na formação educacional. A baixíssima qualidade da educação nacional não tem como responsável a insuficiência de recursos. Sua origem está na inexistência de uma política educacional séria, competente e realista. Educação é política de Estado e pauta suprapartidária. A incompetência e irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos pela União, Estados e Municípios alimentam e agravam o caos educacional.

Comprovarei pelo estudo "Aspectos Fiscais da Educação no Brasil", elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Demonstra que o país gasta com educação 6% do PIB (Produto Interno Bruto). Comparativamente, os países integrantes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) gastam em média 5,5% do PIB. Exemplo: A educação pública brasileira tem um custo maior do que 80% dos países em todo o mundo. Em relação ao PIB nações como EUA investem 5,4%; Argentina, 5,3%; Chile, 4,8%; Colômbia, 4,6%; México, 5,3%.

O economista, engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica e professor Ricardo Paes de Barros, ante essa realidade indaga: "Como você coloca 6% do PIB na educação e eles dizem que não sabem como garantir resultados?" Em 2017, o governo da União aplicou R$ 117,2 bilhões em educação. Sendo R$ 75,4 bilhões no ensino superior e R$ 34,6 bilhões na educação básica. O governo federal nos ensinos básicos e fundamental tem papel supletivo em relação aos Estados e Municípios. A diferença do montante de recursos exemplifica o porquê de o ensino básico e fundamental sofre de déficit educacional histórico. Exatamente as áreas que deveriam ter prioridade maior no recebimento de recursos públicos.

A síntese disso tudo pode ser resumida em uma estrutura educacional viciada, envolvendo União, Estados e Municípios. Prioridades erradas na administração dos recursos destinados à formação das novas gerações é realidade inquestionável. A deficiência no aprendizado, fruto de uma educação sofrível no ensino básico, é agravada pela elevada evasão no ensino médio, travando a construção do futuro de novas gerações e aprofundando a desigualdade da renda e a pobreza para milhões de brasileiros. Todos vítimas de uma péssima educação.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira

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