Everton Paulo Roman

Chapecoense 1: História desde a fundação do clube à Série B

30/09/2019 17h03

Prezados leitores! Eu, Everton Roman e meu aluno do Curso de Educação Física do Centro Universitário Assis Gurgacz (FAG) Mateus Giordani estaremos realizando uma série de posts referentes à Associação Chapecoense de Futebol (ACF). A história do clube catarinense se tornará tema do Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso "TCC" agora no final do ano de 2019.

Para iniciar, vamos nos ater nesse primeiro post a história da "Chape" (como é carinhosamente chamada), desde a sua fundação e todas as suas dificuldades até o acesso à Série B. Então vamos lá!

No dia 10 de Maio de 1973 na pequena Cidade de Chapecó, município do oeste catarinense (na época com aproximadamente 80 mil habitantes) nascia o verdão do oeste, furacão do oeste ou simplesmente a Chape. Região conhecida por ter muitas indústrias, sentia necessidade de ter um clube profissional de futebol. Foi a partir daí que surgiu a ideia de juntar dois clubes amadores tradicionais da cidade de Chapecó para fazer um time profissional. Essa sugestão partiu de alguns esportistas apaixonados por futebol e ligados aos clubes envolvidos nesta "fusão" (Atlético Chapecoense e Independente Futebol Clube).

No início, como todo e qualquer clube de pequeno e médio porte do interior do Brasil, passou por algumas dificuldades financeiras e estruturais, sendo que até os primeiros jogos de sua história foram realizados na cidade vizinha de Xaxim-SC.

A sua trajetória de conquistas começa a ser escrita no ano de 1977, onde chegou ao primeiro título catarinense em cima de um dos grandes rivais do estado, o Avaí. A conquista foi no seu novo e recém-inaugurado estádio na época batizado como Índio Condá, nome este que foi uma homenagem ao índio da tribo Kaingang (Vitorino Condá), tribo que vivia no oeste catarinense. O estádio levou este nome até o ano de 2007, quando foi reformado e após isso ganhou o "novo" nome de Arena Condá.

Na temporada de 1978, com o título catarinense no ano anterior já contabilizado, a Chapecoense conquistou uma vaga inédita para o Campeonato Brasileiro, o qual contou com outras 59 equipes. Por ser um clube de pequena expressão e pouquíssimas condições financeiras, como era de esperar, não teve um desempenho nada bom, ficando apenas na 51ª colocação.

No ano de 1979, a Chapecoense disputou novamente o campeonato brasileiro ficando desta vez na penúltima colocação, levando em consideração que os clubes catarinenses tinham enorme dificuldade em "fazer frente" contra clubes grandes do nosso futebol. No cenário estadual, desde seus primeiros anos de história, a Chapecoense era capaz de brigar em igualdade de condições com os clubes mais antigos e estruturados do estado como era o caso de Criciúma, Figueirense e Avaí.

Porém, o clube viveu um jejum de conquistas que durou 19 longos anos, que acabou com um título em cima de outro grande clube tradicional do estado, o Joinville, no ano de 1996.

Em 2007, mesmo com o título estadual, após 34 anos da sua fundação, a Associação Chapecoense de Futebol passou por mais uma dificuldade financeira, sendo esta muito maior, o que quase veio causar sua falência. Foi obrigada a abrir uma sociedade com um empresário e mudar seu nome de pessoa jurídica para Chapecoense Kindermann/Mastervet, a qual durou apenas um ano. No entanto, isso foi o suficiente para o clube "limpar seu nome", pagar as suas dívidas pendentes e recomeçar uma nova vida.

Nessa nova fase, a Chape mudou sua gestão, equilibrou suas contas e após isso os resultados começaram a aparecer dentro de campo. Nessa mesma temporada (2007), o clube sagrou-se campeão catarinense após um longo jejum que já durava longos 11 anos. No entanto, na temporada seguinte (2008) pode ser considerada como o divisor de águas do clube verde, pois com as contas em dia, a Chape mirava voos mais altos, o time queria alongar seu calendário e entrar de vez no cenário nacional. Fato. Nesse ano conseguiu o vice-campeonato catarinense e de quebra conquistou uma vaga para a primeira edição do Campeonato Brasileiro da Série D de 2009.

A temporada de 2009 marcou o início da ascensão da Chapecoense na caminhada até a elite brasileira. Após passar por 4 fases, a Chape caiu na semifinal para o time do Macaé (vice-campeão daquele ano) vencendo em casa por 3x2, porém derrotada no Rio de Janeiro pelo placar de 2x0. Esse placar não foi suficiente para o clube ter o direito de disputar a final daquela competição. Mesmo assim o "verdão" conseguiu o seu objetivo que era conquistar o acesso ao Campeonato Brasileiro da Série C. Vale lembrar que naquele ano subiram, respectivamente, São Raimundo-PA, Macaé-RJ, Chapecoense-SC e Alecrim-RN.

A temporada 2010 para a chapecoense não foi nada boa. Após o Clube fazer um campeonato catarinense fraquíssimo foi rebaixado para jogar a segunda divisão estadual do outro ano, porém o time teve muita sorte. O Atlético de Ibirama pediu licença na Federação e não disputaria o campeonato seguinte (2011), então esta vaga ficou com a Chape que ficou livre de disputar a "segundona" estadual.

Como era de se esperar, a agremiação também não fez uma boa campanha no Campeonato Brasileiro da série C, caindo nas quartas de final para o rival Criciúma. A equipe ainda conseguiu se manter na terceira divisão nacional, e justamente naquele ano iniciou a gestão de Sandro Pallaoro que assumiria e faria a Chapecoense ser a Chape que o povo brasileiro tanto admira.

Na temporada de 2011 após "escapar" de jogar a divisão especial do estadual o "verdão" sagrou-se Campeão catarinense (quarto título da história do clube até então). No entanto, mais uma vez a Chape não conquistou o tão sonhado acesso a série B nacional. A equipe foi bem na competição, terminando a primeira fase em primeiro, mas na segunda fase foi eliminada ficando em terceiro no grupo onde passavam apenas 2 times, terminando em 5º lugar geral (20 clubes disputaram a competição).

Na temporada 2012 veio o tão sonhado acesso para o Campeonato Brasileiro da Série B em um ano que não começou bem. A Chape ficou de fora da disputa do título estadual e foi eliminada na Copa do Brasil na segunda fase pelo time do Cruzeiro (Arena Condá 1x1 e em Minas na casa da "raposa" até saiu na frente mas acabou goleada por 4x1 e deu adeus à competição).

O acesso da Chape para a série B veio mesmo ficando de fora da grande final. O clube caiu na semifinal para o Oeste (SP). Mesmo não participando da final, houve grande festa em Chapecó, onde os torcedores fecharam as principais ruas da cidade para comemorar a façanha até então. Foi aí que, definitivamente, a Chapecoense conquistava de vez o coração dos habitantes de Chapecó e se iniciava um dos grandes capítulos da história do nosso futebol.

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