Everton Paulo Roman

Gordon Banks: A eterna lenda - por Everton Roman

13/02/2019 17h39

De todos os esportes, a minha verdadeira paixão é o futebol. Sempre acompanhei essa modalidade fantástica desde muito cedo. Sonhava, como qualquer menino em ser um jogador de futebol. Como a grande maioria desses meninos sonhadores, não cheguei lá!

Sempre procurei acompanhar tudo. Isso me levou a cursar a Faculdade de Educação Física, fazer Mestrado, Doutorado e ser Professor Universitário. Recordo-me muito bem de quando tinha apenas 7 anos de idade no Bairro Boa Vista, na cidade de Céu Azul, juntamente com meu saudoso pai assistimos juntos a Seleção Brasileira ser engolida pela Itália na "tragédia de Sarriá", jogo em que fomos eliminados da Copa do Mundo de 1982 por um atacante endiabrado, cujo nome era Paolo Rossi, que marcou nada menos do que os 3 gols na vitória dos italianos por 3 a 2. Essa partida o credenciou a ter o sugestivo apelido de Il Bambino doro (o menino de ouro). Paolo Rossi vive até hoje e cada vez que ouvimos o seu nome nos vem à lembrança o fatídico 05 de julho de 1982. Que bom. Recordar é viver!

Gordon Banks, infelizmente não tive o privilégio de ver jogar. Porém, quando o assunto é futebol e seus grandes e inesquecíveis momentos, uma das imagens que sempre vamos ter em mente foi o cabeceio de Pelé e, certamente, a maior defesa realizada por um goleiro em todos os tempos na Copa do Mundo de 1970 no México (Estádio Jalisco - Guadalajara).

Pelé, em uma rede social, postou no dia da morte do astro inglês (12.02.2018) a seguinte nota:

"Para muitas pessoas, a principal memória do Gordon Banks é aquela defesa que ele fez contra mim, em 1970. Eu entendo a razão.

A defesa foi uma das melhores que já vi, na vida real e em todos os milhares de jogos que assisti desde então.

Quando você é um jogador de futebol, você sabe exatamente quão bem tem que acertar a bola. Eu acertei a cabeçada exatamente como eu esperava. Ela foi onde eu queria que fosse. E já estava pronto para comemorar.

Mas então este homem, Banks, apareceu como um fantasma azul, como o descrevi. Ele veio do nada e fez o que eu não achava ser possível. Ele puxou a bola, de alguma forma, para cima e para fora do campo. E eu não pude acreditar no que eu vi. Até hoje, quando assisto, não acredito. Não acredito como conseguiu se mover de tão longe e tão rápido.

Eu marquei muitos gols na minha vida, mas muitas pessoas, quando me encontram, perguntam sobre aquela defesa. Embora tenha sido fenomenal, minha memória do Gordon não é definida por aquilo. É definida pela sua amizade. Um homem gentil e acolhedor, que deu muito para todos.

Eu sou feliz por ele ter defendido aquela bola. Pois aquele ato foi o início da amizade entre nós, que eu vou sempre guardar com carinho. Sempre que nos encontramos, foi como se não estivéssemos distantes.

Hoje tenho uma grande tristeza no coração e mando minhas condolências à família, que tanto o orgulhava.

Descanse em paz, meu amigo. Sim, você era um goleiro mágico. Mas você também era muito mais. Você era um ótimo ser humano".

O futebol é um esporte mágico que vive principalmente de craques, ídolos e histórias. Gordon Banks se foi. A vida é assim. Seguimos em frente.

Infelizmente, os heróis nos deixam. O que nos conforta é que os seus feitos sempre serão eternizados.

O futebol sentirá a sua falta.








Leia outros artigos de Everton Paulo Roman