Craque Neto

Treinador tem prazo de validade no Brasil - por Craque Neto

02/10/2019 09h25

A febre do momento é vir gente a público criticar a postura dos jogadores de futebol que estão derrubando alguns treinadores por aí. A imagem captada pela TV Globo no jogo entre Goiás e Cruzeiro, onde o Abel Braga diz ao Ney Franco que "jogador xinga treinador e treinador vai embora..." exemplifica bem isso. E é a mais pura verdade que se um elenco não aprova os conceitos de um técnico, dificilmente ele tem vida longa por aqui. Essa é a cultura do futebol brasileiro. Jogador por aqui é diferente.... é malandro na média. Precisa ser, digamos, enquadrado de um modo correto. Com respeito.

Até por isso costumo dizer que existe técnico e treinador. São diferentes. Um só entende de treinamento, tática, essas coisas. O outro sabe lidar com o grupo de pessoas e entende o time de uma maneira mais ampla. Mas ambos para mim tem prazo de validade. Ou seja, consegue fazer sucesso a curto ou a longo prazo, mas uma hora acaba. Vejam o caso do Tite. Fez um sucesso estrondoso e conquistou praticamente tudo no Corinthians entre 2010 e 2013. Só que chegou um momento em que não dava mais. Teve que tomar atitudes que não queria e não tomou atitudes que devia. Caiu. Felipão no recente Verdão foi parecido. De ídolo e quase intocável na temporada passada, hoje virou uma vaga lembrança.

O curioso é que no rico e valorizado futebol europeu as coisas são diferentes. Os treinadores são chefes inquestionáveis. Mandam e desmandam. Por lá cai o jogador e não o treinador. O escocês Alex Fergunson ficou por quase três décadas no comando do Manchester United e se aposentou. Arsene Wenger ficou por mais de 20 anos no Arsenal. Na Espanha o Guardiola e o Zidane só largaram seus cargos no Barça e no Real quando tiveram vontade e depois de uma baita coleção de títulos. Talvez a cultura e a educação das pessoas por lá levem a isso.

Mas a verdade é que por aqui não dá pra falar que os jogadores são vagabundos ou que os treinadores são traíras. Tem as duas coisas. Vemos de tudo por aí. Pra elucidar uma opinião rápida em casos específicos recentes: no São Paulo o Cuca precisava sair, mas o Raí foi banana e deixou o Daniel Alves dominar o clube; no Cruzeiro alguns jogadores sacanearam e derrubaram o Rogério Ceni e pra fechar o Ganso foi um tremendo traíra com o Oswaldo (mesmo reconhecendo que o mesmo não era o técnico ideal para o Fluminense). Mas também cansei de ver nesses 40 anos de bola treinador arrebentar com a carreira de jogador.

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