Afonso Cavalheiro Neto

Na mira do melhor do mundo Professores Brasileiros na Finlândia

10/07/2018 17h40

Um grupo de 17 professores brasileiros, por meio de um programa de formação continuada, viabilizado pelo Consórcio Educacional STHEM Brasil e patrocinado pelas respectivas Instituições de Ensino, participaram de uma experiência enriquecedora na Finlândia que é considerado um dos melhores países para se viver, graças à economia crescente e a importância que se da à melhoria da qualidade de vida daqueles que lá vivem.
O interesse que a Finlândia desperta no mundo se dá pelo seu posicionamento no topo do ranking do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o PISA. Ele é calculado com base em diversas medidas, uma delas é a pontuação em exames internacionais. E o desafio foi saber o que se pode fazer para melhorar as propostas educacionais das instituições participantes e promover uma reflexão sobre o sistema educacional brasileiro.
O sucesso conquistado pelo sistema educacional finlandês tem raízes históricas, políticas, culturais e sociais próprias, que não podem ser transpostas para outros contextos. Não existe panaceia ou receita mágica, replicável independentemente da realidade local. No entanto, ao vivenciar e conviver, mesmo que por pouco tempo, com os professores e com o dia a dia de uma universidade foi possível entender o que está por trás de um programa educacional bem sucedido e principalmente, refletir sobre a nossa própria trajetória de políticas educacionais e sobre os saberes docentes necessários e que se vislumbram no ideário educacional que pretendemos ter.
Uma primeira relativização deve ser feita em relação aos resultados obtidos nos exames nacionais de desempenho educacional, que está pautado na intencionalidade política e ideológica dos especialistas em avaliação educacional do Ministério da Educação (MEC), claro, não deve ser tomada como a única medida válida da qualidade da educação, contudo, não se deve menosprezar sua importância para a comparação internacional dos sistemas educativos, especialmente no atual momento histórico, marcado pela globalização. O ranking internacional dos sistemas educacionais oportuniza uma valiosa possibilidade para verificar o nível de aprendizagem dos estudantes de cada país, de maneira a permitir a comparação direta com alunos da mesma faixa etária praticamente em todas as regiões do planeta. Além disso, possibilita extenso intercâmbio de informações sobre os diferentes sistemas e políticas educacionais implementadas no mundo.
Trata-se, assim, de uma oportunidade de aprendizado institucional única, inclusive por fomentar a disseminação de análises em profundidade sobre os países de mais alto desempenho, como a Finlândia. Nesse tipo de análise, não se pode deixar de considerar os fatores socioeconômicos e o grau de desenvolvimento de cada país. Assim, os próprios relatórios internacionais mostram importantes diferenças no desempenho dos alunos segundo o nível de renda agregada, os investimentos públicos em educação, a organização do sistema educacional e as condições de vida em cada país participante. Entretanto, esses mesmos relatórios evidenciam que alguns fatores pedagógicos são capazes de fazer a diferença na aprendizagem propiciando maior equidade na distribuição de oportunidades educacionais. O modelo finlandês está ancorado em um tecido social bastante homogêneo e em uma visão peculiar e historicamente construída sobre o papel do Estado no bem estar social. Embora este estudo esteja voltado para diferenciais positivos do sistema educacional daquele país, é certo que, também lá, existem desafios e problemas a serem equacionados.
Porém, ao conhecermos um pouco da experiência finlandesa no âmbito da educação, dois aspectos se destacam. Em primeiro lugar, os resultados alcançados pela Finlândia na educação com reflexos na transformação experimentada por aquele país em direção a um investimento em educação. Em segundo lugar, a Finlândia adotou estratégia divergente das recomendações hegemônicas disseminadas a partir dos anos 90, especialmente no que se refere ao papel da avaliação e da padronização do ensino.
De modo geral, o pensamento ortodoxo sobre política educacional tem preconizado uma série de políticas inspiradas por modelos ditos "empresariais" da educação, que, contemplam a fixação de prescrições curriculares rígidas e padronizadas e estimulam a competição entre os estabelecimentos de ensino que culminam na responsabilização direta dos profissionais da educação pelos resultados alcançados. Essa perspectiva está praticamente ausente do sistema educacional finlandês. Isso não significa que a Finlândia não adote nenhum tipo de padronização, não dê ênfase à aprendizagem de habilidades básicas nem promova mecanismo algum de accountability no sistema educacional. Tais elementos estão presentes, porém inseridos em uma abordagem que privilegia a autonomia profissional dos docentes e diretores de escola e a responsabilidade compartilhada pelo sucesso escolar dos alunos. Isso é possível devido a um contexto em que a qualidade da formação docente e o prestígio social dos professores estão consolidados. Mesmo não sendo essa a realidade brasileira, a centralidade dos profissionais da educação e a compreensão do processo de ensino-aprendizagem como um processo criativo por natureza, em que devem predominar relações de compromisso e confiança mútua, são aspectos importantes a serem considerados em nosso meio.
Por fim, o conhecimento da experiência educacional finlandesa pode ensejar oportunidades interessantes para o Brasil. Ambos os países priorizam, atualmente, estratégias voltadas para a internacionalização da pesquisa e a mobilidade acadêmica. O programa Ciência sem Fronteiras ilustra bem essa intenção, no caso brasileiro. Um intercâmbio acadêmico como esse promovido pelo consórcio Sthem Brasil deve ser mais intensamente fomentado. O grupo de professores que formaram Missão Brasil na Finlândia representaram as suas respectivas instituições de ensino que buscam e investem numa mudança imediata dos contextos da educação superior no Brasil, desta forma, superando propostas comerciais e rasas de alguns grupos educacionais e demonstrando seu compromisso com a melhoria da educação superior no Brasil.

MISSAO BRASIL NA FINLÂNDIA:

01. Afonso Cavalheiro Neto - FAG/PR
02. Bruno S. Nogueira Lima - UNDB/MA
03. Diego Henrique Alexandre - UNIS/MG
04. Douglas Zampar - INTEGRADO/PR
05. Fernando Novais - CENSUPEG/SC
06. Gabriel Fernandes Cardoso - UDF/DF
07. Leandro Costa - UNISAL/SP
08. Leonardo Ribelatto Lepre- TOLEDO/SP
09. Leticia Guimarães Carvalho de Souza Lima - UNIVAÇO/MG
10. Maria Tereza Gomes de Almeida Lima - UNIPTAN/MG
11. Mauricio de Oliveira Quirino - UNITOLEDO/SP
12. Natalia Tomich - FACIG/MG
13. Oscar Strauss - CETEC/SP
14. Roberto Michelan - PARAÍSO DO CEARÁ/CE
15. Rodrigo Linhares Lauria - UNISUAM/RJ
16. Verônica Paludo Bressan - IMED/RS
17. Washigton de Macedo Lemos - DOM BOSCO/RJ

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