Afonso Cavalheiro Neto

Aprendendo com os professores da Finlândia

20/11/2017 11h02

O sistema educacional da Finlândia é uma referência mundial em qualidade, o país tem um dos sistemas de ensino mais elogiados do mundo, e é um dos líderes mundiais em desempenho acadêmico.

Destacarei algumas coisas simples, do dia a dia em sala de aula, que fazem a diferença.

Aulas por meio de projetos: Os projetos elaborados por alunos e a resolução de problemas estão ganhando protagonismo no ensino finlandês, em substituição à aula expositiva tradicional. Utilização intensiva das Metodologias Ativas: metodologias chamadas de "problem-based learning" e "project-based learning" (ensino baseado em problemas ou projetos). Neles, problemas, fictícios ou reais da comunidade, é o ponto de partida do aprendizado.

Os alunos aprendem na prática e buscam, eles mesmos, as possibilidades para encontrar as soluções. Os projetos são desenvolvidos sem a condução direta do professor, assim, os alunos aprendem não só o conteúdo, mas a gerir um plano e lidar com os erros. E os mesmos têm uma carga horária de leitura, para buscar (nos livros) as ferramentas que precisam para resolver os problemas.

A resolução de problemas e projetos é parte de um ensino mais centrado na produção do próprio aluno. Ao professor cabe mediar à interação na sala de aula e saber quais metas precisam ser alcançadas em cada projeto. Aqui no Brasil, o processo é mais centrado no professor.

Nesse contexto, a avaliação tem utilidade diferente, ela está presente, mas os alunos se autoavaliam, avaliam uns aos outros, e o professor avalia os resultados dos projetos. Ao reduzir o número de provas e avaliar os trabalhos em grupo e as atividades propostas, os professores têm um olhar sobre o desempenho do aluno, e não apenas do momento da prova.

A tecnologia não é parte central desse processo, mas auxilia o trabalho do professor em estimular a participação dos alunos finlandeses. Em vez de proibir o celular, os professores os usam em sala de aula para estimular a participação dos alunos, por exemplo, respondendo por aplicativos enquetes relacionadas com as aulas.

O ensino fundamental finlandês continua dividido em disciplinas tradicionais, mas focado cada vez mais no desenvolvimento de habilidades como comunicação, pensamento crítico e empreendedorismo, e não apenas na assimilação de conteúdo tradicional, buscando assim estimular a independência do estudante e uma forma de mudar os alunos passivos, que só fazem a tarefa se o professor cobrar.

A Finlândia adota aulas de 45 minutos seguidas de 15 minutos de intervalo para tirar a tensão de tantas horas em que o aluno fica sentado. Já aqui no Brasil, a grande carga horária no ensino brasileiro dificulta sua aplicação, e é importante salientar que na Finlândia existe uma forte cultura de pontualidade. A relação da escola com a comunidade também e fortalecida nos processos de ensino aprendizagem de forma que muitos dos projetos dos estudantes finlandeses são tocados em parcerias com empresas, para aumentar sua conexão com a vida real e o mercado de trabalho.

A vantagem disso é que o aluno vê sentido prático e profissional no que está aprendendo, e desenvolve algo diretamente para o mercado de trabalho, que vai ter relevância para o próprio estudante, e é contextualizado com as empresas locais.

A formação dos professores é apontada como a principal chave do sucesso do ensino finlandês. Os brasileiros observaram lá uma capacitação mais prática, voltada ao dia a dia da sala de aula, e mais interação entre o corpo docente. Além disso, há uma valorização cultural do professor, semelhante à de outras profissões, que aqui são supervalorizadas, lá o salário é equivalente, e as condições de trabalho proporcionam bastante tempo para o planejamento do trabalho docente.

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