Afonso Cavalheiro Neto

Engenharia Civil em EAD: quem são as cobaias?

28/09/2017 14h33

A engenharia Civil é um ofício que, assim como a Medicina e o Direito entre outras importantes profissões têm seu exercício regulamentado para garantir a preservação da vida, o bem-estar das pessoas e a segurança e integridade do seu patrimônio, e ainda a preservação do meio ambiente.

A formação do Engenheiro Civil exige o acompanhamento presencial e ainda a vivência prática em laboratórios, canteiros experimentais e espaços acadêmicos destinados ao desenvolvimento de habilidades e competências.

É reconhecido mundialmente hoje, o avanço na área de ensino à distância, mas ainda é necessário um amplo debate sobre seu alcance e suas limitações nas áreas de conhecimento que exigem formação teórico-prática e que podem ensejar risco à vida, ao patrimônio e ao meio ambiente.

Na formação do Engenheiro Civil o espaço físico adequado é parte do processo de ensino e favorece o aprendizado, pois, a vida profissional se estabelece em espaços físicos reais, e é o dever de ofício desse profissional. Como fazê-lo na virtualidade? Como aceitar que a relação professor/aluno presencial não seja importante, que a virtualidade basta? Qual seria, então, o sentido da construção física, real e material dos espaços?

O curso de Engenharia Civil hoje admite novas ferramentas de linguagem e expressão, entre outros recursos tecnológicos e enfatiza a qualificação das condições físicas e espaciais dos laboratórios e salas de aulas como espaços específicos, mas plurais, que permitem o exercício de diferentes formas de linguagem, expressão, práticas, pesquisa, concepção e desenvolvimento que fomentam o processo criativo.

Os laboratórios de Engenharia são espaços facilitadores da construção coletiva do conhecimento e permite a integração professor/aluno e aluno/aluno. O convívio presencial é fundamental para a vivência e o questionamento do próprio espaço.

O ensino de Engenharia no Brasil vive uma situação de alerta em termos de qualidade, pois muitos cursos presenciais apresentam conceitos insatisfatórios nas avaliações do ENADE. Não se discute aqui a inquestionável contribuição e a evolução do EAD no Brasil, que nos últimos anos atendeu e vem atendendo a demanda reprimida da quantidade de vagas disponíveis. Tanto que, atualmente, 25% das matrículas no ensino superior brasileiro já são nesta modalidade e o percentual deve dobrar nos próximos anos.

A atratividade do curso de engenharia civil na modalidade EAD é facilmente compreensível, pois, oferece flexibilidade para os alunos, em termos de lugar e tempo e ainda menores valores das mensalidades. Os cursos de Engenharia na modalidade EAD autorizados hoje somente serão avaliados por volta de 2021, quando terão seus primeiros alunos concluintes.

Poderá ser tarde demais! Em qualquer plano de desenvolvimento do Brasil, presente ou futuro, os engenheiros têm e terão um papel de grande importância.

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