Adriano Ramos Cardoso

A cadeia leiteira no Paraná e seus desafios

03/10/2019 19h41

A cadeia produtiva do leite no Paraná tem crescido muito nos últimos anos e vem se destacando em relação aos outros estados. Essa crescente é fruto da dedicação do produtor rural que trabalha de sol a sol durante todos os dias do ano, associado à genética, nutrição, sanidade e manejo.

Inúmeras cooperativas foram criadas, empresas privadas e associações, todas com o objetivo mútuo: desenvolver a cadeia produtiva do leite, porém o que encontramos na maioria das propriedades é o descontentamento do preço pago pelo litro de leite ao produtor.

Muitos abandonaram o setor ou estão no processo de saída da atividade ou ainda estão inseminando as vacas com sêmen de bovinos de corte. Outros não sabem o que farão em 2020. Os insumos para produção de leite têm aumentado muito enquanto que, o preço do leite mantém seus valores atuais ou até mesmo mais baixos em pleno inverno brasileiro.

Há anos são discutidos assuntos para melhorar a cadeia produtiva. Sabemos que mudou muito, cresceu muito, mas até mesmo os mais otimistas estão desanimando.

Temos que fixar preços mínimos para que o produtor possa fazer seu planejamento, principalmente porque com as novas normativas para controle e qualidade do leite em vigor precisa de investimento no setor, e o produtor não quer mais pegar recursos financeiros bancários, eles querem preços dignos pagos ao leite produzido, para que a liquidez seja investida no setor.

Ao ler matérias jornalísticas e observar atentamente os comentários começamos a perceber que a cadeia precisa rapidamente analisar alguns pontos, como essa situação:

"A divisão é proporcional ao mercado. A indústria e o produtor andam no mesmo sentido, ou dividindo ganhos ou dividindo perdas. É destinado um valor que dá respaldo ao produtor, resolvendo aquela situação de possibilidade de exploração, com preços pagos extremamente baixos", explica o autor.

No texto o autor frisa que a divisão é proporcional dividindo ganhos e perdas. Dividir perdas? Como assim? As perdas são proporcionais a quanto ganha ou maior do que os ganhos? Até quando vamos ouvir as insatisfações do produtor leiteiro? Estamos trabalhando para melhorar os índices de produtividades no estado do Paraná, como a qualidade em excelência, mas onde fica a satisfação do produtor?

Até quando teremos que ficar imaginando quanto será o preço do leite nos próximos 90 dias, como fica o planejamento sustentável da propriedade?

Precisamos de ações rápidas para melhorias do preço do leite, melhorar a estima do produtor, assegurando os preços mínimos para que o setor não estagne ou até mesmo regrida.

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